A Copa da aventura
Faltavam duas horas para a decisão quando a delegação paulista desceu a pé 800 m morro abaixo entre o alojamento e a estrada onde o
ônibus, que não conseguira subir no dia anterior devido as ruas estreitas e a chuva, esperava os jogadores. Foi assim que Nazareno e Atitude
se aventuraram na disputa do bronze e na decisão. Depois de uma péssima estreia a equipe de Hortolândia reencontrou seu futebol, fez uma grande
partida, mas perdeu a medalha para a Ceifa. Na decisão o Atitude, que venceu a Ceifa na semi por 4x3 no melhor jogo de todas as edições, saiu
na frente, mas parou numa arbitragem absurdamente caseira que beneficiou o bom time do Betel que sequer poderia estar na Copa. Em 2010
a BSA3 comunicou a UEFE que a equipe fluminense estava suspensa por um ano pela desistência em cima da hora em participar da edição de Lençóis
Paulista. Com a péssima arbitragem ficou difícil analisar o jogo e a própria Betel acabou prejudicada pela imagem ruim de uma final da qual seus
jogadores não tiveram culpa. Se dentro de campo o improviso e a arbitragem caseira deixaram muito a desejar, fora das quatro linhas foi tudo
tranquilo. Dirigentes e voluntários fluminense se mostraram, assim como em Itaboraí 2009, muito atenciosos e prestativos e o alojamento também
atendeu aos paulistas com conforto, praticidade e lazer. A comunhão valeu todo o esforço e cansaço, tanto para atletas quanto para organizadores.
Parar ou continuar?
Quem não se conformou com os problemas dos jogos foi o presidente da UEFE, Henrique Silveira. Ele não se importou com o sobe e desce a pé dos
morros, da distância alojamento/estádio e das muitas horas dentro do ônibus, ao contrário, brincava com a aventura. Polido, não fez críticas durante
o evento, mas entre os paulistas era nítida sua irritação. O início dos problemas começaram ainda em 2010 quando os três times que viajariam para
Lençóis Paulista desistiram em cima da hora, causando um grande transtorno para a organização. A paulista Batista pegou dois anos de suspensão que
cumprirá até 2012 e o Betel um ano conforme anúncio da BSA3. Em 2011 os problemas se multiplicaram. Um representante paulista não participou dos jogos
porque não quis viajar junto com a delegação e o fluminense Betel foi absolvido de sua suspensão em cima da hora pela BSA3 sem grandes explicações.
Em Nova Friburgo não houve planejamento adequado. Faltou logística, o regulamento não foi cumprido na íntegra, houve improviso na diretoria e a
arbitragem na decisão foi péssima, assim como em 2009 quando a Ebenezer foi prejudicada na semifinal. Essa reincidência no apito e as dificuldades
das últimas duas copas podem ser fatores determinantes para uma possível extinção da Rio x SP. "Vários jogadores disseram que valeu pela aventura e
comunhão, mas ouvi também de alguns que jamais pisarão de novo no Rio e não quero que eles tenham essa imagem daqui", argumentou o presidente da UEFE.
"A comunhão é mais importante, sem dúvida, mas o evento é de futebol e precisa ser muito bem organizado, caso contrário, haverá desânimo, desconfiança,
murmuração e motivos de sobra para sua extinção. Ou melhoramos todos, organizadores e equipes, ou a Rio x SP deve acabar", terminou Henrique.
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