Henrique Silveira é presidente da UEFE desde 1995. Dizem que lhe falta algum parafuso, afinal, ele gosta de sofrer. Veja só. Henrique é diácono da Igreja Presbiteriana, árbitro de futebol amador, designer gráfico que não é carreira para ninguém e, para piorar, riobranquense apaixonado, daquele que se irrita se perguntado sobre qual time grande torce. É para acabar mesmo. Mas não reclame. No fundo ele deixa bem seu recado para a galera da Copa.

5/7/2011
Jogar como cristão

A palavra cristão se refere a todo indivíduo que segue o cristianismo, que por sua vez significa uma forma de vida centrada nos ensinamentos de Jesus Cristo através da Bíblia Sagrada. No dia 11 de setembro de 2010 jornalistas da France Télévisions estavam no vestiário do Plenitude gravando para um documentário as palavras do pastor e técnico do time, Eliseu Guedes, que pedia a seus jogadores para jogarem como cristãos. Foi quando o jornalista perguntou o que seria jogar como cristão. Jogar como cristão. Uma das frases mais ouvidas nos vestiários e campos da Copa Americana. Muito profunda em sua essência, muito deturpada na prática. As explicações do pastor Eliseu foram sucintas e diretas e tenho certeza que o jornalista entendeu bem o que significado. Vamos então exemplificar algumas atitudes de como "jogar como cristão" baseados nas Sagradas Escrituras, obrigatoriamente o manual de vida do crente. Não se tem na Bíblia referência de que Jesus teria praticado algum esporte, mas seus ensinamentos caem como uma luva em determinadas situações.

Respeito à autoridade. A Bíblia nos ensina em Romanos 13.1-2: "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação". Vejo na Copa jogadores que não aceitam as instruções de seus diretores e treinadores, não aceitam o banco de reservas, não gostam de ser substituídos, não gostam de companheiros, adversários e tratam árbitros e organizadores com total desrespeito. Quem age assim está trazendo condenação a si mesmo. É a Palavra de Deus que diz isso. E não considerar como autoridade treinadores, dirigentes, árbitros e organizadores é outro erro porque todos foram instituídos por Deus e não estão ali por acaso.

Avareza e desobediência. Jesus conversa com seus discípulos quando foi indagado sobre pagar ou não imposto ao imperador Cesar. Em Lucas 20.24-25 Jesus dialoga assim: "Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? Prontamente disseram: De César. Então, lhes recomendou Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Impostos e taxas também são instituídos por Deus, afinal, esses tributos vêm das autoridades escolhidas por Ele conforme vimos no tópico anterior. A Copa Americana tem seus custos e é uma competição particular. Participa quem é convidado e se quiser. Os diretores das equipes são pessoas abençoadas. Têm nas mãos um ministério que pode ser usado para o engrandecimento do Reino de Deus através da comunhão e evangelização. E esses abençoados diretores quase que sempre pagam todas as taxas da Copa de seu próprio bolso e fazem por amor ao seu time. Porém, nem todos têm condições de bancar tudo sozinho e é neste instante que atletas e treinadores se mostram avarentos e desobedientes. Muitos se recusam a doar uma oferta de R$ 5,00 ou R$ 10,00 a cada partida (uma vês por mês em média) e deixam tudo para o diretor. Reclamam se precisam doar R$ 3,00 para lavar os uniformes que recebem sempre bem limpos, levam cartões amarelos por atitudes infantis e sequer pagam a simbólica multa de R$ 3,00. Tudo fica para o diretor. Imagino que quem se recusa a ofertar R$ 2,00 ou R$ 3,00 para participar de um time que gosta também deve ser negligente com seus dízimos e ofertas. Pobre dessas pessoas.

Amor ao próximo. Outro tema bastante batido no meio cristão. É quase que um bordão. Em Mateus 5.43-45 Jesus fala como devemos amar: "Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos". Pior que ter que amar inimigos e criar vários deles. Não há inimigos na Copa Americana, mas ainda há pessoas que insistem em criar os seus próprios. Basta uma jogada mais forte e pronto. Está declarado mais um inimigo. Uma falta marcada por engano e o árbitro é o mais novo inimigo. É muito fácil sairmos de campo cumprimentando adversários, árbitros e organizadores quando vencemos, falo por mim também. A dificuldade maior é sem dúvida abraçarmos o "cara" que deu o pontapé e dizer "Um forte abraço, Jesus te ama e eu também" ou chegarmos no árbitro e sem cobrá-lo de lance algum desejar-lhe um bom final de semana.

Atitude diabólica. Veja o que está escrito em Mateus 5.37: "Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno". Essa ordem de Jesus é simples e direta. Dirigentes de equipes sempre conversam comigo sobre as dificuldades de se trazer jogadores para as partidas. Antes da Copa há dezenas deles querendo fazer parte do elenco. Basta chegar o dia do jogo e o dirigente sofre para conseguir trazer um time decente. Também sofro deste mal no Independente. "Você vai ao jogo sábado?" pergunto. "Sim, pode contar comigo" é a resposta do atleta que no dia não aparece com uma lista de desculpas. Caro atleta. Se disse que vai ajudar a pagar a taxa de inscrição faça isso. Se prometeu ajudar na organização do time cumpra sua palavra. Se disse que vai jogar apareça mesmo. Se não fizer assim estará cometendo uma atitude satânica, pois assim diz a Palavra do Senhor. E usar "compromisso na igreja" como desculpa é pecar duas vezes.

Irmãos. Somente na glória eterna deixaremos de pecar. Até lá seremos sujeitos a erros e pecados, mas se gostamos de "jogar como cristão" devíamos lembrar-nos dos ensinamentos de Cristo conforme os textos citados. Se Jesus participasse da Copa Americana respeitaria as autoridades da sua equipe, seu treinador, seu companheiro, adversários, árbitros e organizadores aceitando os mesmos como autoridades instituídas por Deus. Jesus também não permitiria a seu dirigente bancar todos os custos da competição sozinho. Também não criaria inimigos e mesmo que houvesse algum seriam esses que amaria ainda mais na tentativa de ganha-los para o Pai. E se Jesus prometesse que no sábado, às 13h, estaria num local combinado esperando seus companheiros para irem ao jogo, pode ter certeza, ele estaria lá.

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